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Petrobras atende pedido de Jackson e concede 120 dias para apresentação de soluções ao fechamento da Fafen

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J. Sousa
março28/ 2018

O pedido do governador Jackson Barreto foi realizado na tarde de ontem, terça-feira (27), durante reunião com o presidente da Petrobras, Pedro Parente, bancada federal e políticos da Bahia, sobre o fechamento da unidade e atendido pelo presidente da Petrobras

O governo de Sergipe e da Bahia terão 120 dias para apresentarem proposições para manutenção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen). O pedido do governador Jackson Barreto foi realizado na tarde de ontem, terça-feira (27), durante reunião com o presidente da Petrobras, Pedro Parente, bancada federal e políticos da Bahia, sobre o fechamento da unidade. A solicitação foi atendida pelo presidente da Petrobras a partir de 30 de junho, prazo inicial para hibernação da Fafen, localizada em Laranjeiras.

“Gostaria de dizer que para nós, sergipanos, essa notícia é um golpe profundo na economia do estado. No momento em que o estado avança com um investimento de R$ 5 bilhões na construção da termoelétrica, para que a gente dê oportunidade para futuras gerações, a Fafen, que nasceu em 1982, que deu ao estado vários investimentos, pretende encerrar as atividades. Nós precisamos da Fafen. Nossa proposta é de 120 dias para estudar alternativas sobre o funcionamento da unidade”, afirmou.

 

Foto: Agência Sergipe de Notícias
Foto: Agência Sergipe de Notícias

 

Jackson explicou que o prejuízo apresentado pela Petrobras, responsável pelo gerenciamento da Fafen, no valor de R$ 600 milhões inclui a taxa de impostos de gás, energia elétrica e água. O governador propôs debater a carga tributária, juntamente com o governo da Bahia, para tornar a atividade fabril viável. A discussão envolve o estado da Bahia já que a medida da Petrobras atinge também a unidade industrial de Camaçari.

“Nós sabemos que o que mais incide na Fafen é o preço do gás, que é de responsabilidade da Petrobras, que cobra um preço exorbitante. Vamos discutir o preço do gás natural, a tarifa de energia elétrica, a tarifa de água. Faço um apelo para que possamos rediscutir esse caminho com a bancada, com os representantes da Bahia. Quando se fala em R$ 600 milhões de prejuízo, na verdade não chega a R$ 200 milhões porque nesse valor se inclui até ações judiciais. A Petrobras e a Fafen têm compromisso social. Eu não quero nunca que a Fafen seja prejuízo, quero que ela seja importante para Laranjeiras, para Sergipe e para a Petrobras, mas sabemos que hibernar significa sucatear”, declarou, lembrando que, em Laranjeiras, a fábrica gera 272 empregos diretos e mantém uma cadeia de misturadoras e serviços.

Pedro Parente aceitou a proposta do governador Jackson Barreto de ter 120 dias, a partir de 30 de junho, para estudar alternativas para o funcionamento da unidade e explicou que o processo de hibernação das unidades da Fafen em Sergipe e na Bahia faz parte do plano de medidas de contenção de despesas da empresa, anunciado em 2016.

“Não podemos subsidiar, mas estamos dispostos a conversar. Sabemos que temos que cumprir nossa responsabilidade social. No entanto, essa responsabilidade social não pode imprimir prejuízo à empresa. Atendendo a solicitação do governador de Sergipe, daremos 120 dias a partir de 30 de junho para que os estados e a indústria se engajem para encontrar soluções. Estamos seguindo a nossa estratégia, embora ainda tenhamos uma grande dívida, precisamos continuar trabalhando. Nesse contexto é que se coloca a saída da Petrobras da área de fertilizantes, tomamos a decisão de colocar as unidades da Fafen em hibernação o que significa que ela pode voltar, nós podemos assegurar que não estamos desmontando essas unidades, vão ficar mantidas de voltar a operar em condições normais”, disse.

O vice-governador da Bahia, João Felipe de Souza Leão concorda com Jackson sobre o sucateamento da unidade em caso de hibernação. “Se o senhor fizer a hibernação dessa fábrica, aquilo vai virar sucata e vai acontecer rápido. Porque todos os produtos da Fafen são altamente oxidantes, se levarmos seis meses com a fábrica fechada, vira sucata. Estudemos mais esse caso, vamos dialogar, e colocar as fábricas para dar rentabilidade. Precisamos alavancar o País. O caminho para a Fafen de Sergipe e da Bahia não é matar as duas fábricas. O caminho é restaurar, procurar administrar com capacidade administrativa. O governo da Bahia está unido com o de Sergipe para viabilizar o não fechamento da fábrica”.

Já a proposta apresentada pelo deputado federal André Moura foi de adiar a suspensão das atividades da Fafen por 90 dias, tempo em que seria criada uma comissão de estudo para a demanda. “Temos um proposta que adia a hibernação por 90 dias a partir de 30 de junho. Nesse tempo, cria-se uma comissão em cada estado e com os governos de Sergipe e Bahia, indústrias e entidades para avaliar alternativas para hibernação. O impacto na receita de Laranjeiras é algo em torno de 12%. É uma cadeia produtiva que se coloca em risco e Laranjeiras é o mais impactado. Precisamos da comissão formada com a certeza de que a hibernação será adiada”.

Fafen

O governador foi informado do fechamento da Fafen no dia 19 de março, após telefonema do presidente da Petrobras, Pedro Parente. A fábrica de Sergipe entrou em operação em 1982 e marcou um novo ciclo do desenvolvimento no estado, com a construção da adutora do Rio São Francisco, a ampliação da rede de energia elétrica, a revitalização da ferrovia que liga Sergipe à Bahia e ainda com a instalação do Terminal Portuário Ignácio Barbosa, em Barra dos Coqueiros, a 36 quilômetros de Aracaju.

Ocupando uma área de 1 Km², a fábrica produz amônia, ureia fertilizante, ureia pecuária, ureia industrial, ácido nítrico, hidrogênio e gás carbônico.

Desde 2014, a Fafen-SE conta com uma planta de produção de sulfato de amônio com capacidade para produzir até 303 mil toneladas/ano, o que equivale a 80% da importação da região Nordeste em 2014. O sulfato de amônio contém nitrogênio na composição e também é excelente fonte de enxofre, muito utilizado no cultivo de milho, cana-de-açúcar e algodão.

Presenças

Acompanhou o debate os senadores Eduardo Amorim e Antônio Valadares; os deputados federais Fábio Reis, Fábio Mitidieri, João Daniel, Valadares Filho, Laércio Oliveira, Jony Marcos; os deputados estaduais Robson Viana, pastor Antônio e Jairo de Glória; o empresário Albano Franco; o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira e o vereador de Aracaju Tiago Batalha.

Créditos: Agência Sergipe de Notícias

J. Sousa

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